“Mulher Pássaro” (2021), obra da artista Nádia Taquary que integra a Coleção Collaço Paulo, mantida pelo Instituto Collaço Paulo – Centro de Arte e Educação, em Florianópolis (SC), exige logística em razão do seu peso e características. Nem por isso deixa de ser uma viandante. De bronze, com dois metros de altura, a peça que representa um corpo feminino com asas, escamas e penas, está no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba (PR). A mostra nas Salas 1 e 2 faz um recorte da itinerância da 36ª Bienal de São Paulo – “Nem Todo Viandante Anda Estradas – Da Humanidade como Prática”, com 18 artistas brasileiros e internacionais. A exposição fica aberta até 7 de junho.

A curadoria de Anna Roberta Goetz, cocuradora da 36ª Bienal, reúne obras de Adjani Okpu-Egbe, Alain Padeau, Ana Raylander Mártis dos Anjos, Emeka Ogboh, Ernest Cole, ForensicArchitecture/Forensis, Gervane de Paula, Helena Uambembe, Julianknxx, Leiko Ikemura, Mao Ishikawa, Maria Auxiliadora, Ming Smith, Nádia Taquary, Olu Oguibe, Raukura Turei, Ruth Ige e Sertão Negro.

A obra “Mulher Pássaro”, recorrente no portfólio de Nádia Taquary, entra na Coleção Collaço Paulo para a mostra “Máscara Humana – Rodrigo de Haro”, promovida pelo Instituto Collaço Paulo entre 2024 e 2025. No centro de uma das salas expositivas, ela monopoliza as atenções. Logo depois, ela é emprestada à grande instalação da artista – “Ìrókó: A Árvore Cósmica” (2025), apresentada na  36ª Bienal, ao lado da “Mulher Peixe”.

A escultura parte de um itan, uma história em iorubá, em que uma menina menstrua pela primeira vez. Assustada, ela sai para lavar suas vestes em um rio e desaparece por três dias. No quarto dia, ela é encontrada no alto de uma montanha, segurando uma cabaça com um pássaro dentro. Nos itans, acredita-se que as grandes mães ancestrais levaram a menina, fizeram rituais e compartilharam informações sobre o poder feminino e o mistério da criação. “Esse poder, não é um poder de criação de filhos, é um poder de criação de tudo o que virá a ser e tudo que se desejar criar. São as forças de construção conectadas com o seu poder de criação”, explica Nádia Taquari em entrevista para Luiza Lorenzetti[1]. A cabaça seria, o mistério da criação; o pássaro, uma referência a Oxalá.

Agora no MON, “Mulher Pássaro” e “Mulher Peixe” estão de novo  lado a lado, parecendo convidar o visitante a aproveitar a oportunidade de fruição, antes de partir para as novas etapas da itinerância da 36ª Bienal que inclui Brasília, no Museu Nacional (25.6 a 13.9.2026) e, depois, em Belo Horizonte, no Palacio das Artes (1.10 a 6.12.2026).

 

Sobre a artista

Nádia Taquary (Salvador, 1967. Vive em Salvador) investiga tradições e práticas do sagrado afro-brasileiro, a presença do protagonismo feminino negro e seu legado ancestral. Seu trabalho questiona e desconstrói narrativas eugênicas, eurocêntricas e patriarcais que restringem o acesso a conhecimentos oriundos das Áfricas pré-coloniais. Em 2024, participa da 24ª Bienal de Sydney e realiza mostra individual no Museu de Arte do Rio (MAR/RJ). Suas obras integram coleções do Museu de Arte Moderna da Bahia (Salvador), Pinacoteca de São Paulo, Pérez Art Museum (Miami), Museum of Arts and Design (Nova York), Institute for Studies on Latin American Art (Nova York) e Museo Nacional Thyssen-Bornemisza (Madri).

 

Serviço

O quê: itinerância da 36ª Bienal de São Paulo – “Nem Todo Viandante Anda Estradas – Da Humanidade como Prática”

Onde: Museu Oscar Niemeyer (MON), Salas 1 e 2, rua Mal. Hermes, 999, Centro Cívico, Curitiba (PR)

Quando: até 7 de junho, terça a domingo, 10 às 18h

Quanto: R$ 36, inteira/R$ 18, meia-entrada. Gratuito nas quartas

e último domingo do mês

 

[1] https://artebrasileiros.com.br/arte/exposicoes/nadia-taquary-apresenta-conjunto-de-obras-que-abordam-a-ancestralidade-e-o-feminino/.

*“Mulher Pássaro” (à direita) pode ser vista até junho, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba

*Foto © Vinícius Perbichi/Fundação Bienal de São Paulo

 

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