O livro recém lançado “Arte Brasileira em 18 Momentos” (Inbook Editora) é celebrado no Instituto Collaço Paulo – Centro de Arte e Educação, em Florianópolis (SC). A publicação, editada em São Paulo, com 285 páginas e capa dura, inclui o nome de dois artistas catarinenses e cinco obras da Coleção Collaço Paulo. No sumário de 18 itens relativos à uma história da arte brasileira, Victor Meirelles (1823-1903) e Martinho de Haro (1907-1985) aparecem em “Academia”, o sexto tópico do livro, o mesmo que inclui obras de Abigail de Andrade (1864-1890), Eliseu Visconti (1866-1944) e Georgina de Albuquerque (1885-1962).

Sob o olhar da curadora Denise Mattar, a história do Brasil está fixada em “A Primeira Missa do Brasil” (c. 1860)”, pintura emblemática de Victor Meirelles, no caso um esboço pertencente à coleção da Fundação Edson Queiroz, de Fortaleza (CE). A icônica tela está inscrita no imaginário e na identidade nacional brasileira, razão pela qual não poderia estar fora do recorte proposto.

O passado de Florianópolis destaca-se em “Cais da Rua Tolentino (1970-75), óleo sobre eucatex de Martinho de Haro, também da Coleção Collaço Paulo. “Modernista em essência, escreve Mattar, Martinho renovou a representação da paisagem urbana e marítima da Capital”. De modo inusitado, situa ela, ele pintou o casario e o mar, em cores que ajudam a configurar uma mágica Ilha de Santa Catarina. Curioso que no livro Martinho está entre Henrique Bernardelli (1858-1936) e Raimundo Cela (1890-1954), representantes célebres, também próximos, no passado, por meio da Escola Nacional de Belas Artes.

Ainda do acervo catarinense, sai da Coleção Collaço Paulo, “Canto de Ateliê” (1884) e “Cesto de Compras” (1884), óleos sobre tela de Abigail de Andrade, aquela a quem Paulo Herkenhoff, crítico de arte, dedica estudo no qual investiga as trincheiras ultrapassadas pela artista, como o direito à formação artística; a participação em mostras em espaços públicos da Corte; o reconhecimento como pintora da Academia Imperial de Belas Artes, principal referência no século 19, e primeira mulher a integrar a Exposição Geral de Belas Artes, em 1884, e a primeira a conquistar a medalha de ouro; também a primeira a ter uma fortuna crítica, sendo uma das mais biografadas naquele período.

Georgina de Albuquerque – ainda segundo Paulo Herkenhoff, uma das “modernas antes do modernismo”, está com “Flor de Manacá”, tela exuberante apresentada no Instituto em sua mostra inaugural “Mais Humano: Arte do Brasil de 1850-1930”. Eliseu Visconti é outro que está no livro, um dos destaques da Coleção Collaço Paulo. Por sua importância, a curadora seleciona “Raio de Sol” (1932).

O livro, que traça um panorama, se constitui de modo cronológico nas seguintes abordagens: Saberes Indígenas, O Brasil Holandês (1637-1644), A Matriz Barroca (séc. 17 e 18), Missão Francesa (1808-1821), O Olhar Estrangeiro (séc. 19), Academia (1826-1922), Modernidade (1917-1930), Segundo Modernismo (1930-1950), Abstração Informal (1940-1950), Abstração Geométrica (1950-1960), Neoconcretismo (1950-1960), Pop Art (1970), Arte Espontânea (1960-1970) Arte Conceitual (1970-1980), Geração 80 (1980-2000), Arte Contemporânea (2000-2020), Descolonizando (2021-2025) e Arte Urbana (2000-2025).

 

Obras excepcionais

“Muito gratificante fazer o livro ‘Arte Brasileira em 18 Momentos’, que traça um panorama de 500 anos de arte, começando nas artes indígenas e chegando à contemporaneidade. Tive em mente apresentar a produção de artistas de todo o Brasil, e, não poderia deixar de fora dois catarinenses como o acadêmico Victor Meirelles e o modernista Martinho de Haro. Ainda dentro da perspectiva de abrir a pesquisa incluí as artistas mulheres do século 19 e início do 20, que raramente são citadas. A Coleção Collaço Paulo foi fundamental nesse processo. Além dos já citados, pude ainda trazer para o público obras excepcionais de Abigail de Andrade e Georgina de Albuquerque. E também não poderia deixar de fora o pré-modernista Eliseu Visconti. Além de ser um artista que me encanta, considero a obra ‘Raios de Sol’, uma das mais belas obras da arte brasileira”, diz Denise Mattar.

 

Múltiplas matrizes e influências

“Arte Brasileira em 18 Momentos” marca os 18 anos da G5 Partners, empresa de São Paulo que desde 2007 presta assessoria financeira e patrimonial. Renato Klanert e Marcelo Lajchter, co-CEOs e cofundadores lembram no prefácio de que “a arte brasileira é marcada por múltiplas matrizes, influências e movimentos de renovação”. Trata-se, segundo eles, de um processo contínuo de construção e reconstrução de identidade, no qual a tradição e inovação coexistem. “Celebrar a maioridade por meio da arte é reconhecer que solidez é resultado de trajetória. É afirmar que a excelência não é circunstancial, mas construída ao longo do tempo”, escrevem eles.

*“Flor de Manacá” (c.1922), óleo sobre tela (124 x 99 cm), da artista Georgina de Albuquerque, integra o livro recém lançado.

Eduardo Marques/Foto Divulgação

**Capa do livro que celebra arte e a maioridade de empresa paulista

Foto Divulgação

 

 

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