Nas expansões do jornalismo

Com perguntas formuladas pela equipe do Instituto Collaço Paulo – Centro de Arte e Educação – Marcelo Collaço Paulo, Cristina Maria Dalla Nora, Francine Goudel, Joana Amarante e Marcello Carpes – a jornalista Néri Pedroso, responsável pela produção de conteúdo e comunicação, fecha um ciclo do Instituto Entrevista, programa educativo que convida pesquisadores, artistas e profissionais da imprensa a refletir sobre a arte, comunicação e as próprias trajetórias em relação à Coleção Collaço Paulo. No caso, com o propósito de dar visibilidade à atuação específica de cada um dos profissionais envolvidos nas ações criadas no compromisso social de colocar o acervo a serviço da comunidade, da cidade, de Santa Catarina e do Brasil.

Nos tópicos, olhares, atuações múltiplas e reflexões que transitam pelo universo da curadoria, da museologia, da arte educação, da comunicação, da conservação, do interesse na produção de diálogo e pensamento, das parcerias e visitas, do trabalho em equipe e dos programas, dos artistas, do colecionismo e da história da arte. No ciclo do Instituto Entrevista, o roteiro inclui a primeira curadora-chefe Francine Goudel – “Arte, Desafio e Responsabilidade”; a conselheira Sandra Makowiecky – “Entre Transcendências e Responsabilidades”; a arte educadora Joana Amarante – “As Somas do Núcleo Educativo”; a restauradora Sára Fermiano – “Nas Subjacências de Raridades”; a museóloga Cristina Dalla Nora – “No Amparo de Bens Culturais” e a nova curadora-chefe Alice Viana Bononi – “Busca de Novas Constelações”.

As indagações para a jornalista Néri Pedroso, a última desta lista, contornam a trajetória pessoal, os livros, os desafios contemporâneos, as mídias sociais, a inteligência artificial, o papel do jornalismo cultural na valorização e difusão das artes visuais. Na chamada sociedade do cansaço, ela entende que não dá para analisar o tema sem um efetivo ajuste às tramas, aos mecanismos da chamada era da informação, sob as consequências reais da internet, quando tudo opera em alta velocidade. Nesta entrevista, aparecem o jornalismo sob a prática, o foco nos modais de visibilidade e conhecimento em torno de obras artísticas. Isso e o desafio de uma comunicação construída em abordagem institucional para contar a história de uma coleção de arte colocada a favor da arte e educação.

 

Com um vasto e admirável currículo que vem de uma formação como jornalista e passa por atuações como repórter, chefe de redação, editora, coordenadora, revisora, produtora de conteúdo, assessora de imprensa, escritora, entre outras, hoje exercendo atividades também múltiplas dentro da comunicação para o Instituto Collaço Paulo, quais são as delícias e os desafios da sua profissão no momento atual?

Néri Pedroso – O maior desafio é a aprendizagem a ser feita o tempo todo na convicção de que a arte e a cultura transformam vidas, refinam sensibilidades, um setor tão importante quanto a economia, lamentável o baixo entendimento neste sentido. Vinculado à Universidade de Brasília (UNB), autor de livros importantes que esteve no instituto em 2025, o professor Emerson Dionisio Gomes de Oliveira pesquisa a história das exposições frente a uma história do mercado de arte e suas instituições. Ele define as exposições como discursos, portanto, comunicação, que têm as obras de arte como protagonistas. Poucos artistas compreendem o sistema de arte composto por muitos elos, entendem os regimes e as modalidades de visibilidade de obras. Alguns pensam que tudo se reduz à criação, à própria personalidade, à curadoria e ao espaço expositivo, limitam o campo informativo para as redes sociais, pouco preocupados com a articulação comunicacional que assegura projeção de carreiras, envolve história, conceitos, arte educação, formação de público, design gráfico, responsabilidades inclusivas, outras instituições, enfim, um conjunto de responsabilidades englobadas, neste caso, no desejo de dar acesso à Coleção Collaço Paulo. A equipe, coordenada por Marcelo Collaço Paulo, diretor-presidente, atua de modo colegiado para ativar reflexões e pesquisa, conhecimento e inclusão, memória e arquivo, um trabalho com compromisso social. A exposição é comunicação que precisa ser ofertada de modo acessível, inclusivo, do flyer ao convite, outdoor à plotagem, etiquetas, etc., algo que requer escolhas adequadas na tipografia, na cor, percepções de aplicações diferenciadas na impressão, na parede, papel ou lona. Em Santa Catarina, desconheço projetos que, na gênese, aproximem efetivamente a curadoria, o educativo e a comunicação, essa última quase sempre incorporada como assessoria de imprensa, um apêndice obrigado a fazer milagres para tudo acontecer. O jornalista só entra em projetos pós-definições. Entende-se essa conexão nas amplas possibilidades de transmissão, sobretudo na tarefa de comunicar, fortalecer as metas e as ações voltadas a vasto público com linguagem acessível, reforçando a marca dos apoiadores. Os resultados dos programas para ampliar conhecimento sobre artes visuais com questões reflexivas em torno da Coleção Collaço Paulo são satisfatórios nos números de visitação, no entrelaçamento de instituições museológicas e educacionais, nas parcerias, apoios comunitários e na mídia espontânea.

 

Autora de três livros para a construção de memória da história das artes visuais em Santa Catarina: “Superlativa Marina”, biografia de Marina Mosimann” (Ed. Inst. Juarez Machado, 2017), “Coletiva de Artistas de Joinville: Construção Mínima de Memória” (Fund. Cultural de Joinville, 2012) e “Hassis” (Tempo Editorial, coleção Vida e Arte, 2010). Em 2025, no Instituto Collaço Paulo, lançou “Memória, Legado e Resistência: 50 Anos da Acap”, a convite da Associação Catarinense dos Artistas Plásticos (Acap). Você reconhece a importância dessa construção de sentidos para o setor? Como avalia essas produções?

Pedroso – Por característica pessoal, íntima, tenho dificuldade em situar essa produção em determinados contextos. Sem desmerecer ninguém ou a profissão, alguns se convencem além de sua real importância. Isso também decorre de um modo de atuação concentrada no aqui e agora, na tarefa do momento. Vivo as experiências. Produzo com dedicação, apaixonadamente, como alguém que gosta de aprender e pesquisar. Os livros são grandes oportunidades que envolvem o exercício profissional, afetos e saberes que pediam certa sistematização, memória, arquivo. Reconheço a importância, por exemplo, do papel da marchande Marina Mosimann (1938‑2024), em Joinville, o valor histórico da mostra Coletiva de Artistas de Joinville; o privilégio de pensar Hassis (1926-2001), a partir do depoimento de sua mulher, a querida Nazle Paulo Corrêa (1927-2022). Embora não circunscrito ao sistema de artes visuais, há o livro “Associação Pró-Música e Darcy Brasiliano dos Santos: Construção Coletiva de Sentidos” (Ed. Bernúncia, 2019). Embora na música, Seu Darcy (1924-2021) é estruturante nas sensibilizações dos catarinenses, na formação de público para a música e a dança, entre o clássico e o erudito, em apresentações bem prestigiadas na atualidade. Vejo a alma de Seu Darcy ali.

 

Pensando nas mudanças dos meios de divulgação, como as mídias sociais, inteligência artificial para criação de conteúdo, o formato e os meios pelos quais o público acessam as informações, quais oportunidades desse cenário e os desafios hoje para o jornalismo cultural?

Pedroso – O maior desafio é manter-se crítico, atento, com capacidade autônoma e, se possível, inteligência criativa. Seguir pensando como humanos, sem entrar em movimentos de manada. O desafio é manter lucidez e mínima compreensão em torno dos interesses do capital, da economia, o papel da arte e da cultura. Não em contraposição às inovações tecnológicas, mas as pertinências do uso, adequar-se, incorporar o que serve à construção de uma atuação singular. Sem ingenuidade, valorizar a diferença, mesmo que mínima, em qualquer projeto individual ou coletivo. As oportunidades neste cenário seguem, dependem de escolhas pessoais. Embora a redução do jornalismo cultural nas mídias corporativas, segue-se neste gênero dentro de um conceito expandido, aqui apropriando Rosalind Kraus, pensadora das artes visuais que aponta a superação dos suportes tradicionais por práticas híbridas que diluem, neste caso, as fronteiras entre os atuais espaços jornalísticos. Opero em território ampliado, participo de projetos e editais nas artes visuais e na dança contemporânea. Editora, produzo conteúdo na feitura de catálogos e livros, revisora, assessora de imprensa, eventualmente palestrante ou mediadora, centrada sobretudo no Instituto Collaço Paulo, onde em quatro anos, desde 2022, vivencia-se uma experiência, penso inédita, em que a comunicação, a curadoria e o educativo ativam uma instituição voltada à democratização de uma coleção de arte. Em outros formatos, no conjunto das atividades, sigo produtiva no jornalismo cultural, atividade que ajuda a legitimar carreiras, vidas e trajetórias, sistematizando temas do circuito da arte de Santa Catarina. Em vez de lamentar a escassez, lembro daqueles que apostam na cultura, como muitos parceiros colegas de profissão de Santa Catarina. Gostaria também de mencionar o Museu de Arte Contemporânea Luiz Henrique Schwanke (MAC Schwanke), conduzido pelo Instituto Schwanke, no qual sou vice-presidente.

 

Em que momento ou a partir de qual vivência você se depara com o jornalismo cultural? Como essa escolha se consolida na trajetória profissional? Pensando nessa busca e de um olhar único traçado ao lado de nomes importantes da cidade, que conselho daria aos jovens jornalistas que estão começando a trilhar esse caminho?

Pedroso – Conselho aos jovens? Ler, ler muito, estudar, manter a curiosidade. Sair de casa, ver eventos, visitar museus, ir ao cinema, conversar, escutar, participar de cursos e debates, integrar a vida da cidade. Largar o celular, pensar que nem tudo se reduz à própria bolha ou a uma selfie. Sobre a profissão: vocacionada, a escolha se dá bem antes de prestar o vestibular. Na infância, identifico duas pessoas, amigos de meus pais que traziam recortes do jornal “Correio do Povo”, lembro o “Caderno H”, crônicas e poesias de Mario Quintana (1906-1994), textos curtos sobre o tempo, a vida e o cotidiano, presentinhos que, depois, eram colados em um caderninho.

 

Considerando a produção cultural em Florianópolis e Santa Catarina, como percebe o papel do jornalismo cultural na valorização e difusão dessas manifestações, especialmente diante dos desafios de visibilidade em um cenário dominado pelos grandes centros?

Pedroso – A questão do centro e da periferia. O jornalismo cultural não morreu, tantos sites e revistas abrem espaço. É preciso olhar com os paradigmas do tempo contemporâneo, quando tudo em alta velocidade, aquilo que a pensadora Anne Cauquelin chama de “construção da realidade em segundo grau”, com verdade e falsidade em equivalência, muito de tudo disperso, em absoluta fragmentação/segmentação. Embora o desmantelamento das bordas e das fronteiras, os grandes centros sustentam o desejo de hegemonia, com discursos às vezes arrogantes. Se pensarmos as posições de subalternidade, na ótica da ideologia colonial, percebe-se as tentativas de domínios discursivos engendrados pelas grandes cidades, as capitais sobre polos regionais, uns sempre se achando mais importantes, sem respeitar os processos de criação e a afirmação de diferenças. Critica-se o eixo Rio-SP, mas perversidades são reproduzidas também em contextos regionais.

 

Tem alguma história ou fase da sua carreira que tenha te marcado de um jeito especial e ajudou a construir sua forma de fazer jornalismo?

Pedroso – As pessoas, os contatos, as situações moldam uma vida. O caminho se dá em encontros com pessoas generosas e estruturantes, às vezes em movências inesperadas. Primeiro, lembrar do valor dos professores: cito dois, a alfabetizadora Novelia Siebert Ludtke e na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no curso de comunicação social, o professor Paulo Roberto Araújo, o mestre que morre em 2016, aos 65 anos. Voraz leitor, ele condensa uma prática em torno do jornalismo, da literatura e do ensino, homem diferenciado, sensível, com quem dialoguei e aprendi de modo privilegiado. Há outros, mas ao mencioná-los abarco todos os bons e pacientes docentes. Sobre uma história: o primeiro emprego ocorre no jornal “A Razão”, em Santa Maria, na gestão de Luizinho De Grandi (1942-1988) no começo dos anos 1980. Demitida ali, entro no semanário “O Expresso”, onde crio uma página chamada “Arte e Cultura”, com a voz sobretudo de artistas visuais, algo que leva ao ponto de Luizinho, um ano após, convidar a voltar numa prática enfatizada nos temas da cultura. Aqui, temos possivelmente a gênese do jornalismo cultural na trajetória, mas um exemplo de que mesmo em lugares e momentos menos evidentes é possível fazer a diferença, tudo depende de concentração em um objetivo ou necessidade.

 

Em sua trajetória, qual foi o maior aprendizado ao cobrir a diversidade cultural, e como o jornalismo cultural pode ir além da simples divulgação para se tornar um agente de crítica e reflexão sobre a arte e seus impactos sociais?

Pedroso – De certo modo a resposta está contemplada acima, em relação. O jornalismo cultural se expande quando se pensa a comunicação como cultura, no seu papel social.

 

Propondo um pensamento sobre o papel da crítica na contemporaneidade. Você acredita que com as mudanças no campo da arte, onde questões sociais, representações de gênero, raça e identidade ganham maior visibilidade no circuito, ainda há espaço para o juízo estético clássico, que muitas vezes privilegia a beleza e fatura na obra de arte, ou a crítica deve se voltar cada vez mais para uma análise contextual, que considere o impacto social, político e histórico da obra?

Pedroso – Há lugar para tudo em um mundo tão múltiplo e em tão alta velocidade. Entre tantos vetores que constituem o sistema de arte, a crítica tem um papel relevante, quer em juízo estético clássico, jornalístico, identitário, acadêmico. Importante é a circulação de ideias voltadas a amplo público, defendo uma interlocução neste sentido mais generosa, que abarque os que não vão ao museu e nem leem teorias acadêmicas, mas se interessam de modo particularizado por arte. Pertinente é conter arrogâncias, sem o pensamento de que um é mais importante do que o outro, algo que joga muitos à invisibilidade como ocorre ao longo da história com as artistas mulheres, os negros, a comunidade LGBTQIAPN+, entidades, coletivos e movimentos. O ideal seria uma prática horizontalizada, sem que curadores ou pesquisadores, por exemplo, se achem mais importantes que os artistas e a própria obra de arte.

 

Como enxerga o papel da assessoria de imprensa no Instituto Collaço Paulo, especialmente no desafio de articular comunicação, mediação e crítica de arte para diferentes públicos, familiarizados com a arte ou não, ao mesmo tempo em que contribui para a construção e preservação da memória das ações culturais realizadas? O que se destaca nessa multiplicidade?

Pedroso – Destaco o conceito de trabalho, o valor da coleção, a atuação em equipe, o aprendizado, a memória e o arquivo. A assessoria de imprensa é um dos muitos aspectos executados a partir de um pensamento conjunto entre a direção do instituto, seus interesses, a curadoria, o educativo e a comunicação. Boa parte dos produtores culturais ou profissionais desse setor veem a assessoria de imprensa como algo que serve exclusivamente para chamar público e ponto final, sem considerar a possibilidade de que tudo é comunicação. Faz isso também, porém não é o papel primordial. Serviço estratégico, ela constrói e fortalece uma marca, um projeto ou empresa. Gera mídia espontânea, estabelece relações com jornalistas, gerencia possíveis crises, mas o conjunto de atividades deve levar em conta o conceito, os propósitos, o pensamento da equipe, demonstrar minimamente como tudo se constrói e assegurar inserção em veículos que assegurem arquivo, pois queremos preservar a memória institucional e social. Inseridos no sistema de arte do Brasil, acredita-se possível, no futuro, ser fonte de pesquisa histórica para refletir sobre o circuito de Santa Catarina a partir de 2022, na criação do instituto. Sem esquecer, naturalmente, que defendemos a cidadania, os direitos culturais sobretudo os de crianças e jovens. Isso explica o cuidado documental com as oito exposições e ações realizadas em torno delas. Todos os Institutos Conversa estão no Youtube, os seis catálogos, seis materiais educativos e três ferramentas interativas podem ser acessados no site, onde também está o programa Instituto Entrevista, hoje com 16 nomes expressivos da cena brasileira das artes visuais. É um privilégio estar à frente deste trabalho.

 

Como vê o distanciamento, a falta de espaço na mídia convencional para a arte?

Pedroso – O distanciamento demonstra a dificuldade que muitos têm em não reconhecer dois movimentos entranhados na atividade humana, o da economia e o da cultura. Nada de tudo o que está posto no mundo escapa desta relação, entendendo a cultura no conceito do pensador, crítico de arte e curador Teixeira Coelho (1944-2022), como o modo de vida de uma comunidade em seu sentido mais global, o cultivo da mente, das práticas e comportamentos coletivos. Envolve o social, o técnico, o trabalho, a moral, a religião, a linguagem, a arte, os costumes, o imaginário, a ciência, a filosofia, a política, a economia. Outro vetor são os leitores como efetivos consumidores de um produto jornalístico. Muitos querem estar na mídia impressa, reivindicam jornalismo cultural, mas consomem jornais e revistas só no momento em que ali aparecem. Por que será que as editorias de esporte alcançam mais aderência? Os hábitos de leitura e amplitude da internet também mudaram muito o panorama, é inegável.

 

Você já cobriu importantes eventos artísticos em Santa Catarina. Para os dias atuais a comunicação e o jornalismo cultural tiveram que se reinventar?

Pedroso – Um jornalista, assim como todo o cidadão, deve entender o mínimo do que se passa. Deve se reinventar de modo constante, todos os dias diante dos dilemas do tempo contemporâneo, a tal sociedade do cansaço, conforme diz Byung-Chul Han, filósofo bastante pessimista que denuncia o drama de uma organização social coercitiva, com violência neuronal em que os indivíduos, escravos de si mesmos, em constante autovigilância se cobram resultados inimagináveis, atordoados pela ideologia da positividade em que devem fazer e ser tudo: faça você mesmo, seja competente! A reinvenção maior é manter-se lúcido e saudável, não sucumbir à depressão, aos transtornos de personalidade, às síndromes de toda ordem, como o burnout. Somos sujeitos em permanente crise, na velocidade da chamada era da informação, quando a tecnologia digital possibilita a interconexão global transformando radicalmente todos os setores da vida planetária, inclusive, óbvio, a prática jornalística. Instantânea, a informação é um ativo valioso em tempo real em um mundo sem fronteiras, mas, ao mesmo tempo, o ciberespaço enche o mundo de notícias falsas (fake news) e a constante exigência de atualização. Neste sentido, estamos como Sísifo, somos Sísifos contemporâneos – fadados ao fracasso, enfrentando cotidianamente tarefa similar à daquele que move a pedra montanha acima para vê-la despencar em incessante fluxo, em esforço inútil, desprovido da liberdade de uma possível desistência. Impactados, não temos sossego, mas é necessário estabelecer espaços de resistência, de esperança e apaziguamento, algo que aparece na boa arte, uma crença viva no Instituto Collaço Paulo. Por meio dela, aprende-se a olhar de outra forma, reinventamos, colocando o capital simbólico para acionar novas indagações. Sempre defendi um pensamento editorial inteligente, plural, dissociado minimamente da indústria cultural, da agenda. Defendo, por formação, um jornalismo provocador, que faça pensar, possa levantar problema e formular perguntas. Gosto de ousadia gráfica, além de conteúdo. Sonho com frescor, vibração e crítica, pautas com articulação de linguagens e universos distintos da vida da cidade.

 

Néri Pedroso, jornalista que atua desde 2022 no Instituto Collaço Paulo, diante de obras do artista Rodrigo de Haro

Elisa Imperial/Foto Divulgação

*Entrevista publicada em 24/09/2026, realizada pela equipe do Instituto Collaço Paulo.

 

 

 

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