Com entrada gratuita, a exposição “Céu e Terra dos Andes” encerra no próximo dia 11, no Instituto Collaço Paulo – Centro de Arte e Educação. Inédita, com curadoria de Andrés De Leo e Diana Castillo, ambos do Centro de Pesquisa e Conservação do Patrimônio da Universidade de Engenharia e Tecnologia (Utec), do Peru, a mostra apresenta 40 obras do núcleo de arte andina da Coleção Collaço Paulo, compostas por pinturas, objetos, artefatos, registros audiovisuais e materiais de ateliê dos séculos 17 e 18. Com expressiva visitação, a mostra se insere no objetivo institucional de promover o diálogo entre arte e educação na América Latina, ampliando o conhecimento do patrimônio cultural peruano em âmbito internacional.
A exposição, que enaltece a riqueza espiritual, técnica e simbólica da arte da América Latina, se concretiza pela parceria entre o Instituto Collaço Paulo e a Utec fortalecendo o intercâmbio acadêmico e cultural entre o Peru e o Brasil. A iniciativa conta com o apoio cultural do Utec, Sesi, Ibagy, Corporate Park e Paradigma Cine Arte.
O recorte da Coleção Collaço Paulo coloca em evidência obras de arte do vice-reinado, o período virreinal. Em 1543, a Espanha estabeleceu o Vice-Reino do Peru para administrar o Peru e controlar as terras sul-americanas como o Panamá, Colômbia, Equador, Paraguai, Argentina, Uruguai, parte da Bolívia e, em alguns períodos, a Venezuela.
Novas agências, cores e significados
Pela primeira vez no Brasil, os professores doutores De Leo e Castillo ajudam a ampliar entendimentos. A mostra, segundo eles, entrelaça pinturas e representações de esculturas veneradas em santuários, nas hostes celestes, santos e anjos “reinterpretados no imaginário andino”. Cada trabalho demonstra uma urdidura europeia que nos Andes ganha novas agências, cores e significados. A pintura é apresentada para além da transposição de modelos europeus, afirmando a produção pictórica em sua força de reinterpretação, algo novo para a história, um percurso de arte entre a devoção terrena e a visão celestial.
Em cinco núcleos, aprofundam-se os caminhos da feitura da arte virreinal, a reinterpretação indígena das formas europeias, as imagens de devoção, com composição de velas, flores e cortinas, a tradição dos anjos arcabuzeiros, guerreiros do céu representados com trajes cortesãos, as representações da batalha espiritual entre o bem e o mal, em cenas de doutrinação, e por fim, o ciclo mariano, da anunciação à coroação da “Rainha do Céu”.
O passado e o contemporâneo
A conexão entre tempos e realidades distintas, o passado e o contemporâneo se dá por meio de uma representação brasileira do século 21 com “A Supressão do Santo pelo Ornamento” (2025), óleo e acrílica sobre compensado naval (203,5 × 147 cm), de André Griffo. Fluminense, formado em arquitetura e urbanismo, dedica-se às artes visuais desde 2009 com uma produção de esculturas, instalações e pinturas com as quais discute questões de dominação, controle e o poder da religião. Ele aborda as estruturas de violências com uma vigorosa pintura. No olhar atento, percebe-se o embaralhamento entre o documental e o ficcional que se contrapõe à hegemonia da história do Brasil, expondo ruínas e os impactos da economia escravocrata na formação brasileira, o perverso nas instituições religiosas, as imposições na criação simbólica de imaginários.
* Mãe e filho, sempre em dia com a agenda cultural: Maurício e Julieta Bittencourt, frequentadores do Instituto Collaço Paulo
Elisa Imperial/Foto Divulgação
